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mar 21

Como nasceu ALÔ MUNDO – Revistinha do bem

alomundoDEZ ANOS DE AMOR E COMPROMISSO

Como nasceu ALÔ MUNDO…

Padre Carlos voltava de suas viagens sempre feliz, porque conseguia trazer listas e mais listas de novos assinantes para a revista SEM FRONTEIRAS. E no meio da alegria, há muito tempo soltava uma pergunta, que para nós era um desafio: “Quando vamos lançar uma revista missionária para a garotada? Tem muita gente esperando por ela; muita gente mesmo: nas paróquias, nos colégios, nos grupos de catequese, entre os pais…!”
Corriam os anos de 1985 e 1986 e, de verdade, o sonho de padre Carlos era também o sonho de muitas outras pessoas, não só dentro do grupo da redação e divulgação de SEM FRONTEIRAS, mas também no grande círculo de assinantes, leitores e amigos da revista.
O sonho era bonito; o amor pelas crianças do Brasil era grande; maior ainda era a confiança na sua capacidade de se abrir aos grandes ideais que Jesus veio trazer a este mundo, anunciando que Deus é um só e é Pai de todos e que, portanto, é preciso lutar sem cansar para fazer deste mundo uma casa de irmãos que se conhecem, se respeitam e torcem uns pela vida dos outros.
Por isso, naquela época, a revista SEM FRONTEIRAS já reservava algumas páginas para os leitores mirins.
Mas, e o dinheiro para se lançar uma revista nova que fosse espalhada por todo o Brasil? Já não bastava a preocupação de todos os dias no esforço de manter e fazer crescer a revista SEM FRONTEIRAS?
E quem tinha condições de pensar e produzir a nova revista, uma revista diferente e inteligente para as crianças e os adolescentes do Brasil?
Em junho de 1986, o padre Pedro Settin, diretor dos Missionários Combonianos no Brasil, chamou o padre Carlos e o padre Lino, responsáveis diretos pela revista SEM FRONTEIRAS, e mais alguns colegas para uma reunião. E disse: “Ou realizamos agora este sonho da nova revista missionária para as crianças, ou vamos esquecê-lo de vez!”. A discussão foi animada; as dificuldades foram pesadas com muito rigor, mas era claro que todos torciam para a realização do sonho. E quando o administrador de SEM FRONTEIRAS disse que havia recursos para garantir a produção e a divulgação de três números da nova revista, não houve mais resistência: estava decidido o nascimento de ALÔ MUNDO. A escolha deste nome não precisou nem de um minuto: já estava decidido e querido por todos, porque há muito tempo se dizia entre nós: “Se a nova revista nascer, vai se chamar ALÔ MUNDO!”

Padre Lino reuniu uma turma bacana de nove pessoas: uma professora, uma freira, catequista e missionária, dois casais com filhos pré-adolescentes, dois desenhistas e um experto em produção gráfica. Com muita alegria foi combinado o que poderia ser a nova revista; quais assuntos tratar, como apresentá-los, e todos os outros numerosos detalhes de um empreendimento tão sério e comprometedor…
Assim, nos meses de agosto, outubro e dezembro de 1986, foram espalhados 50 mil exemplares da nova revista por todos os cantos do Brasil. A aceitação por parte dos padres, catequistas, professores e de muitíssimos pais foi muito grande e daí começou a aventura desta bonita e querida revista ALÔ MUNDO, que está em suas mãos e que com este número 100 completa 10 anos.

Por que o nome “ALÔ MUNDO”?
Qual a sua mensagem?

Basta ler o “Oi, amigos” da revista número um:
“ALÔ MUNDO nasce para acompanhar seus leitores ao redor do Brasil e do mundo. Caminhando de mãos dadas, sabendo que vocês, crianças e adolescentes de todo o Brasil, têm a cabeça cheia de coisas boas e novas (…).
Andando pelo mundo, desde a sua rua até o lugar mais distante, faremos milhões de amigos, pois descobriremos que todas as pessoas e todos os povos têm a sua maneira de viver, de vestir, de dançar, de brincar, de rezar; e em todos o Pai do Céu semeia o gosto da vida, a vontade de amar, o desejo da fraternidade e da paz.
Infelizmente, na nossa aventura encontraremos também crianças famintas ou abandonadas, pessoas desprezadas e povos explorados; afinal, situações em que irmãos oprimem outros irmãos, e nós deveremos decidir com quem estar.
Ora, o Pai do Céu quer que todos possam viver com alegria, enriquecidos com as “vitaminas” da justiça e da fraternidade (…).
ALÔ MUNDO lhes oferecerá mil oportunidades para participar, debater, conhecer e refletir…”

Até o Presidente da República…

ALÔ MUNDO não é simplesmente uma revista para ser lida; ela incentiva ao compromisso, porque sabe que crianças e adolescentes entendem das coisas e sabem intervir.
Aconteceu em abril e maio de 1989. Em abril de 1989, aproveitando a Semana dos Povos Indígenas, ALÔ MUNDO apresentava a situação do povo yanomami do norte do Brasil, cujas terras continuavam sendo invadidas e reduzidas, contra o que manda a Constituição.
E pedia a todos os leitores que enviassem uma carta ao Presidente da República (naquele tempo era o sr. José Sarney), protestando contra as graves ameaças de extermínio, padecidas pelo povo yanomami, pedindo obediência à Nova Constituição do Brasil, que garante a vida e a cultura dos povos indígenas e exigindo a demarcação legal das terras do povo yanomami.
Os leitores leram as páginas de ALÔ MUNDO e enviaram milhares de cartas ao Presidente da República. O impacto foi tão significativo que, no final de maio de 1989, um assessor da Presidência da República telefonou à Redação de ALÔ MUNDO querendo saber quantos assinantes ela tinha e o que pretendia com tão grande movimentação por parte de seus leitores. O diretor de ALÔ MUNDO respondeu: “Os assinantes passam de 40 mil e os leitores são bem mais numerosos. O que os leitores pretendem é aquilo que está na carta enviada ao senhor Presidente: que se faça logo a demarcação das terras dos índios, para lhes garantir vida, respeito e futuro…”
E até hoje a revista e seus leitores continuam exigindo isso!
Outro gesto bonito aconteceu em 1995. Os leitores foram convidados a doar assinaturas em favor das crianças dos Assentamentos dos Sem-Terra, espalhados por muitos recantos do Brasil. A resposta a este apelo foi muito generosa. Até hoje muitas crianças e adolescentes usam em suas escolas a revista ALÔ MUNDO, que recebem graças à sensibilidade de outras crianças que sabem estender suas mãos àqueles que sofrem porque seus direitos continuam esquecidos.

Conhecer e se comprometer…

Para terminar, é bonito lembrar a carta que, alguns meses atrás, um garoto assinante de ALÔ MUNDO escreveu:
“Há bastante tempo venho ajudando na minha Comunidade. Leio a revista ALÔ MUNDO e sua leitura está fazendo amadurecer em mim duas convicções. A primeira: não dá para ficar fechado só no pequeno mundo da gente. Lá longe, por este mundo afora, há tantas pessoas que precisam de ajuda, de apoio, de fraternidade. A segunda: lendo as palavras de Jesus no Evangelho e lendo ALÔ MUNDO, estou descobrindo que não basta ficar sabendo o que acontece; é preciso se comprometer. Acho que Jesus está me chamando para ser missionário por completo. E eu estou com vontade de responder ‘sim’!”

 

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